Correr ouvindo música ajuda no seu desempenho

Estudo mostram que correr ouvindo sua playlist favorita ajuda na hora de baixar o pace. E não só isso: pode diminuir a sua percepção de cansaço. Veja a opinião do expert Renato Dutra!

Pessoas correndo enquanto ouvem música
Foto: Shutterstock

Música é a droga (legal) dos atletas. Música melhora o humor, nos distrai da dor e da fadiga, diminui a percepção de esforço e aumenta a resistência. Ou seja, corre-se mais, sem que se perceba isso.

Que um sonzinho é algo que gera prazer, sabe-se há muito tempo. Agora, o que os estudos vêm apontando é que a maioria de nós têm um instinto inato de sincronizar os nossos movimentos ao som que ouvimos. Pare e pense. Difícil não bater os pezinhos ou começar a balançar a cabeça quando se ouve uma canção, não? E essa, digamos, “preferência” é por ritmos com frequência de 120 batidas por minuto (bpm).

O que hoje os especialistas afirmam é que, tão importante quanto o tempo (a velocidade) da música que você vai ouvir na hora de correr ou malhar é exatamente o quanto ela faz você querer se mexer. É o que eles chamam de resposta rítmica.

Pessoas correndo enquanto ouvem música

Foto: Shutterstock

Obviamente, não é todo mundo que consegue correr no tempo exato da música, mas pesquisas recentes revelaram que sincronizar as passadas ao som faz com que o corpo use energia com mais eficiência. Ciclistas que pedalaram na mesma frequência da música que estavam ouvindo usaram 7% menos oxigênio do que aqueles que não entraram no ritmo.

A playlist certa também melhora o humor e torna a experiência de correr mais prazerosa, e isso se aplica inclusive a esforços de alta intensidade (cerca de 80% da frequência cardíaca máxima). Andy Lane, professor de fisiologia do esporte da Universidade de Wolverhampton (Reino Unido), diz que a  melhora no humor trazida pela música reduz a tensão muscular, o que torna os padrões de movimento mais eficientes. “Assim, você precisa de menos esforço para correr no mesmo ritmo.”

A playlist ideal

Qual seria, então, a playlist ideal? O primeiro e mais importante critério a ser levado em conta deve ser o ritmo da batida. Para ter um efeito estimulante, a música precisa ser alta e rápida. A maioria das pessoas prefere uma cadência entre 125 e 140 bpm. Os estudos mais recentes sobre esse assunto, entretanto, sugerem que existe um pico de frequência, acima do qual a música não parece trazer mais motivação. Essa frequência é de 145 bpm.

Gosto não se discute

Não adianta brigar com aquele amigo que prefere correr ao som de sertanejo e nem com aquele que só treina ao som de rock pauleira. A estética da música é algo muito pessoal, e ganha mais quem treina ouvindo o que gosta. Só assim é possível alcançar todos os benefícios relacionados ao humor e à percepção de esforço. “Ao escutar seu som favorito, você faz algo prazeroso e nem percebe os quilômetros ficando para trás”, diz Lane. Assim como o gênero e a própria letra, a memória afetiva em relação ao hit conta, e muito.

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Faça você mesmo

Quer montar uma playlist, mas não faz ideia de qual o ritmo de suas músicas preferidas?  Já existem ferramentas online e aplicativos que fazem esse cálculo. Nesse app ou no app para iPhone Cruise Control, você vai descobrir, por exemplo, que o hit All About That Bass, da americana Meghan Trainor,  tem 134 bpm, enquanto Beat It, de Michael Jackson, está na casa dos 140 bpm.

Outros apps que são uma “mão na roda” são o Songza e o jog.fm. Eles ajudam a descobrir quais músicas têm um tempo que “sincroniza” com o seu pace.

Só um alerta para os iniciantes e para os que estão voltando de contusões: cuidado para não se empolgar demais com a música, ultrapassar os limites e se lesionar.

Texto e Pesquisa: Renato Dutra | Edição: Victor Moura

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