O azeite está entre os alimentos que despertam dúvidas na hora da compra. Qual é a diferença entre as categorias? O extravirgem é realmente mais saudável? E será que ele pode ser usado para cozinhar?
As recentes ações de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) identificaram irregularidades em lotes de azeite de oliva. Elas também reforçaram a importância de saber escolher o produto.
Entre as opções disponíveis, o azeite extravirgem se destaca pela maior preservação de compostos bioativos. Entre eles estão os polifenóis. O produto também apresenta predominância de gorduras monoinsaturadas.
Estudos associam o consumo de azeite extravirgem, principalmente dentro de padrões alimentares como a dieta mediterrânea, a diferentes efeitos benéficos à saúde.
Um dos compostos fenólicos presentes no alimento é o oleocanthal. A substância vem sendo estudada por suas propriedades biológicas. Entre elas estão mecanismos relacionados à modulação de processos inflamatórios.
A nutricionista científica da WebDiet, Larissa Martins, faz uma ressalva. Segundo ela, os resultados das pesquisas não significam que o azeite tenha efeito semelhante ao de medicamentos.
“O azeite extravirgem contém compostos fenólicos, entre eles o oleocanthal, que apresentam propriedades biológicas estudadas pela ciência. Existem pesquisas experimentais sobre mecanismos relacionados à inflamação, mas isso não significa que o consumo de azeite tenha efeito equivalente ao de um medicamento anti-inflamatório ou substitua um tratamento médico”, explica.
Extravirgem, virgem e azeite de oliva: qual a diferença?
As categorias de azeite não são sinônimas. O extravirgem é obtido por processos mecânicos e atende aos critérios físico-químicos e sensoriais mais rigorosos entre os azeites virgens.
O azeite virgem também é obtido por processos mecânicos. Porém, apresenta características que não permitem sua classificação como extravirgem.
Já o azeite de oliva costuma ser obtido pela combinação de azeite refinado com azeite virgem. Por isso, apresenta composição e características sensoriais diferentes das categorias virgens.
Segundo Larissa, a escolha também depende da finalidade e do contexto alimentar.
“Quando falamos em extravirgem, estamos falando de uma categoria que preserva maior quantidade de compostos fenólicos e apresenta características sensoriais próprias. Por isso, além do perfil de gorduras, ele pode oferecer vantagens nutricionais em relação a outras categorias”, afirma.
Azeite pode ser usado para cozinhar?
Outra dúvida comum é se o aquecimento faz o azeite extravirgem perder suas propriedades. Também há quem questione se o produto pode se tornar prejudicial quando aquecido.
De acordo com a nutricionista, o calor pode alterar parte dos compostos presentes no alimento. Isso, porém, não significa que o azeite se torne automaticamente tóxico ou inadequado para cozinhar.
“O azeite extravirgem apresenta boa estabilidade durante o aquecimento e pode ser utilizado no preparo de alimentos. O calor pode reduzir parte dos compostos fenólicos, mas isso não significa que o azeite se torne tóxico. Na prática, ele pode ser utilizado para refogar e cozinhar”, diz Larissa.
Como escolher um azeite?
A aparência, o cheiro e o paladar não são suficientes para confirmar se um azeite é autêntico. A identificação de possíveis fraudes depende de análises laboratoriais específicas.
Ainda assim, alguns cuidados podem ajudar na hora da compra. Larissa recomenda conferir:
- A categoria do produto.
- A origem.
- O fabricante.
- O lote.
- A validade.
Também é importante consultar as listas de produtos e marcas irregulares divulgadas pelos órgãos oficiais.
“A autenticidade de um azeite não pode ser confirmada apenas pela aparência, pelo cheiro ou pelo paladar do consumidor, pois a identificação de fraudes exige análises laboratoriais específicas. No entanto, alguns cuidados na hora da compra são importantes: conferir a categoria do produto, origem, fabricante, lote e validade, além de consultar as listas de produtos e marcas irregulares divulgadas pelos órgãos oficiais”, orienta a nutricionista.
A forma de armazenamento também merece atenção. A especialista recomenda dar preferência a embalagens que protejam o produto da luz, como garrafas de vidro escuro.
Em casa, a garrafa deve permanecer bem fechada. O ideal é mantê-la longe de fontes de calor e luminosidade.
“Na hora da compra, vale dar preferência a embalagens que protejam o azeite da luz, como as garrafas de vidro escuro. Em casa, a garrafa deve permanecer bem fechada e armazenada longe de calor e luminosidade, porque luz, oxigênio e temperatura elevada podem acelerar processos de oxidação”, acrescenta Larissa.
Amargor e picância significam que o azeite é melhor?
O sabor também pode gerar dúvidas. O amargor e a picância são características que podem aparecer em azeites extravirgens.
Esses atributos estão relacionados à presença de determinados compostos fenólicos. Porém, não devem ser usados sozinhos para avaliar a autenticidade ou a qualidade do produto.
“O amargor e a picância podem ser características desejáveis em um azeite extravirgem e estão relacionados à presença de determinados compostos fenólicos. Mas o consumidor não deve usar apenas essas características para concluir se um azeite é autêntico ou não. A confirmação de uma eventual adulteração depende de análises específicas”, finaliza Larissa.
