Ícone do site Sport Life

Dietas hiperproteicas: o risco oculto para os rins que pouca gente fala

Dietas hiperproteicas: o risco oculto para os rins que pouca gente fala

Foto: Reprodução/Shutterstock

Dietas hiperproteicas viraram moda na academia e nas redes. No entanto, elas podem cobrar um preço alto no corpo.

Quando a proteína sobe demais por muito tempo, os rins trabalham mais. Além disso, o risco de pedra nos rins pode aumentar.

Foto: Reprodução/Shutterstock

A nefrologista Dra. Fernanda Moreira, da Fenix Nefrologia, alerta para o exagero. “Dietas acima de 2,0 g/kg/dia podem aumentar a filtração no rim”, explica. E tem mais: “podem elevar o risco de cálculo renal e, possivelmente, de doença renal crônica ao longo do tempo”, completa.

O que são dietas hiperproteicas e por que elas atraem tanto

De forma simples, dietas hiperproteicas são aquelas com proteína bem acima do padrão. Em geral, elas focam em carnes, ovos e laticínios.

A promessa é sedutora: mais saciedade e mais massa magra. Por isso, muita gente corta carboidrato e “sobe” proteína sem medir.

Só que o corpo não é uma calculadora. Assim, o excesso contínuo pode gerar desequilíbrios. Além disso, nem todo objetivo exige tanta proteína. Portanto, vale olhar para números mais realistas.

Qual é a ingestão recomendada, afinal?

Segundo Fernanda, adultos saudáveis costumam precisar de 0,8 g/kg/dia. Esse é um parâmetro clássico. Em situações específicas, a dose pode aumentar. “Pode ser ajustada para 1,2–1,6 g/kg/dia”, diz a médica.

Isso pode acontecer com atividade física regular ou perda de peso. Ainda assim, a ideia é individualizar. Ou seja, “quanto mais, melhor” nem sempre é verdade. Principalmente quando o plano vira regra fixa.

Dietas hiperproteicas e rins: onde mora o risco

O rim funciona como um filtro do organismo. Quando a carga de proteína sobe, esse filtro pode trabalhar mais. Com o tempo, isso pode aumentar o estresse renal. Além disso, pode favorecer a formação de cálculos.

A especialista é direta sobre o uso prolongado. “Pode causar aumento no processo de filtração no rim”, afirma. E quando a dieta é muito baseada em fontes animais, o alerta cresce. Portanto, não é só “bater proteína”.

Para algumas pessoas, o risco é maior desde o início. Já para outras, o problema aparece devagar. O ponto é que o rim costuma aguentar muito até reclamar. E aí mora o perigo.

O problema é silencioso: sintomas podem demorar a aparecer

Doenças renais, na maioria das vezes, não dão sinais cedo. Assim, a pessoa acha que está tudo bem.

Segundo a nefrologista, “a grande maioria das doenças renais são assintomáticas”. Ou aparecem só em estágios avançados.

Quando surgem, os sintomas costumam ser inespecíficos. Por exemplo: perda de apetite, inchaço e pressão alta.

Também pode aparecer espuma na urina. Além disso, a sensação geral é de cansaço sem explicação clara. Por isso, confiar apenas no que você sente é arriscado. Em vez disso, o caminho é checar exames.

Exames simples que ajudam no diagnóstico precoce

A médica recomenda dois testes de rotina. “Creatinina no sangue e albumina na urina”, orienta. Eles são simples e de baixo custo. Além disso, ajudam a flagrar alterações antes de complicar.

Se você quer aumentar proteína, esses exames viram aliados. Assim, dá para ajustar antes de dar ruim.

Quem deve redobrar o cuidado antes de aumentar proteína

Nem todo mundo começa do zero. Portanto, alguns perfis exigem atenção extra. Fernanda recomenda avaliação renal antes de iniciar dieta hiperproteica. Isso é ainda mais importante com histórico familiar.

Além disso, o cuidado cresce em pessoas com doenças crônicas. Diabetes e hipertensão entram nessa lista. Quem já teve cálculo renal também precisa de mais cautela. Afinal, o risco pode voltar.

Whey em excesso e ultraprocessados: uma armadilha comum

Muita gente usa whey para “fechar a meta” do dia. Porém, isso pode virar muleta. Fernanda lembra que o suplemento entra como ultraprocessado. “Whey protein é considerado um alimento ultraprocessado”, diz.

E ultraprocessados têm outro problema. Eles estão associados a maior risco de doenças cardiometabólicas. Por isso, mesmo quando a pessoa quer mais proteína, a fonte importa. Ou seja, não basta bater macro.

A médica orienta priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. Ovos, carnes frescas e leite fresco são exemplos. Assim, você melhora a qualidade do plano. Além disso, evita depender de pó para tudo.

Anti-inflamatório frequente também pode prejudicar os rins

Esse é um ponto que muita gente ignora. Especialmente quem treina pesado. Fernanda alerta para o uso crônico de anti-inflamatórios não hormonais. Eles são fáceis de comprar e muito usados na dor.

Só que uso indiscriminado pode ser prejudicial à saúde renal. Portanto, dor recorrente merece investigação, não só remédio.

Além disso, treinar no limite e “apagar” a dor pode piorar lesões. Ou seja, vira um ciclo ruim.

Como fazer dietas hiperproteicas com mais segurança

Se você quer aumentar proteína, dá para fazer com estratégia. E sem terrorismo. A própria nefrologista dá um norte prático. “Se possível, faça uma avaliação médica geral com creatinina”, recomenda.

Além disso, ela reforça hábitos simples. “Priorize alimentos in natura, aumente o consumo de água”, orienta. E, por fim, ela lembra do básico que funciona. “Não deixe de praticar sua atividade física”, diz.

Checklist rápido para reduzir riscos

Com esses passos, você ganha controle. Assim, a dieta vira ferramenta, não aposta.

O rim é silencioso e paciente. Por isso, prevenir é bem mais inteligente do que remediar. Se você pensa em subir proteína, comece pelos exames. Depois, ajuste a estratégia com calma. E se este tema te pegou, vale conversar com um nutricionista e um médico. Seu corpo vai agradecer!

Sair da versão mobile