Texto de Fellipe Savioli, ortopedista e médico do esporte e triatleta amador
Depois de rodar muitos quilômetros no asfalto do “quintal de casa”, o corredor sente a necessidade de novos desafios. Cito aqui um deles, que é o de aventurar-se em provas em locais com altitudes elevadas e difíceis, como La Paz, Cidade do México, Quito e Bogotá.
Com foco nos cuidados para esse tipo de desafio, inicio com um mito bastante comentado, que é a menor concentração de oxigênio em altitudes elevadas. Na verdade, a concentração é exatamente a mesma que a do nível do mar, próxima de 21%. O que ocorre é que a pressão parcial do oxigênio na altitude é menor, diminuindo a saturação de oxigênio nas células vermelhas.
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Ou seja, ao chegar ao local da prova, você vai perceber o aumento de sua frequência respiratória, o que o deixará mais ofegante. Isso ocorre para tentar compensar a perda da saturação de oxigênio nas células vermelhas. Sua pressão também vai aumentar em repouso, mas as principais alterações você vai sentir durante a corrida: com o mesmo esforço aplicado, sua frequência cardíaca vai aumentar em até 50%!
Ou seja, se você não fizer um período de aclimatação, nada de correr na mesma intensidade em que você realiza seus treinos em altitudes mais baixas. Seu rendimento não será o mesmo. Outro ponto importante: cidades com grandes altitudes geralmente possuem clima frio e seco, favorecendo a desidratação. Portanto, sua ingestão de líquidos (isotônicos e água) deve ser muito bem planejada.
Se você decidiu chegar antes para realizar a aclimatação, algumas dicas preciosas:
