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Se o treino não foi bom, o que eu posso tirar de positivo?

treino bom

Foto: Pixabay

Você recebe a planilha de treinos com as sessões de natação, ciclismo, corrida, treinamento de força e o day-off (dia de descanso) minuciosamente distribuídas ao longo de um período. Nessa planilha, os treinos são detalhados com informações de volume e intensidade, bem como os objetivos de cada treino. Esse último, por sua vez, é de extrema importância porque diz “o que” realmente o seu treinador quer de você naquela determinada sessão de treino; o que ele espera que você consiga realizar; qual resultado ele espera que você consiga atingir. Dá para perceber que o objetivo do treino é o norte do atleta. Ele quer que você faça um treino bom. 

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Então você analisa o seu treino e se prepara para desempenhá-lo, fazer o seu melhor. E quando falamos em se preparar para o treino, significa seguir as orientações do nutricionista, do fisioterapeuta, do treinador e sair para o treino ciente do seu objetivo. 

Às vezes sozinho, outras acompanhado de um ou mais companheiros, você começa o treino. Tudo vai bem. Seu treinador pediu que você se mantivesse na zona “tal” de potência (treino de ciclismo), ou que você corresse X quilômetros dentro de um determinado pace/ritmo, entre outros muitos objetivos possíveis. Mas, de repente, coisas inesperadas (ou até mesmo esperadas) acontecem. Você não termina o treino porque… a bike quebrou. Você não termina o treino porque… ”a cabeça te quebrou”. Você não termina o treino porque… não se sentiu bem. Ou aquela lesão fez você terminar o treino “se arrastando”. Percebe que existem treinos e treinos? Percebe que para cada circunstância, para cada resultado final, uma análise ou uma avaliação deve ser feita? Esqueça um pouco o jargão motivacional (será?) de que treino bom é treino feito. Eu ensino os atletas de que treino bom é aquele que te ensina algo. E treino melhor ainda é aquele que te ensina “algo de positivo”. 

Quer um exemplo? Numa determinada semana, o treino mais importante de corrida é 2h de rodagem no pace de 5’/km. O atleta sai correndo, tudo vai bem, até que com 1h20min ele sente a lesão (ainda em tratamento) que o faz diminuir o ritmo até o ponto de precisar parar e abortar o treino. Treino bom é aquele que te ensina algo! Quais lições ele pode tirar disso que ele vivenciou?

Pensemos em outro exemplo. Você tem um treino intervalado de ciclismo com estímulos na zona 5 e recuperação entre as zonas 2 e 3 (zonas de potência). Você foi dormir muito tarde (talvez não tenha descansado o suficiente), perdeu a hora pela manhã (era esperado que acontecesse), e ainda não fez corretamente o seu pré-treino conforme orientado pelo seu nutricionista. Começou o treino, aparentemente tudo correndo bem. Na metade das séries, a frequência cardíaca já estava extremamente elevada, não estava conseguindo se recuperar entre um estímulo e outro e, pior, não estava conseguindo se manter na zona-alvo de potência durante cada estímulo. Mas mesmo assim você “se arrastou” e completou o treino. Novamente, treino bom é aquele que te ensina algo!”. O que ele poderia tirar de positivo desse cenário?

E por aí vai a reflexão. 

Percebe que mesmo nos erros, nos insucessos, devemos ser conscientes, críticos, verdadeiros e refletirmos acerca dos resultados? Sempre há algo de positivo a ser extraído, sempre há uma lição a ser aprendida.

E no triathlon, onde além de treinar muito, o atleta tem que gerenciar a vida profissional, familiar e social, as falhas são iminentes. Contudo, não podem ser reincidentes, pois devemos sempre tentar extrair o que há de positivo após cada sessão de treino. Não basta completar o treino de qualquer jeito e depois postar que treino bom é treino feito. Todo treino tem um objetivo. Se foi alcançado, o que tirar de positivo? E se o objetivo não foi atingido, o que tirar de positivo mesmo assim? Sendo assim, após cada treino, reflita e avalie. 

TRI-abraços e até a próxima, galera!

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