A corrida começou como parte da rotina de Bruna Ianhez, mas ganhou um espaço cada vez maior em sua vida. O esporte virou desafio, autocuidado e também uma nova possibilidade profissional.
Em 2023, depois de planejar sua transição e a chegada de um sucessor ao cargo que ocupava, Bruna deixou o mercado corporativo. Desde então, passou a se dedicar integralmente ao esporte e à produção de conteúdo. A mudança também trouxe desafios cada vez maiores.

Entre eles, uma ultramaratona de 134 km no Canadá, com trilhas técnicas e aproximadamente 6 mil metros de ganho de elevação. Em conversa com o SportLife, ela falou sobre preparação, disciplina, saúde mental, evolução e os aprendizados das provas de longa distância. Confira!
SL: Você começou a correr como parte da rotina. Em que momento percebeu que o esporte poderia mudar sua vida profissional?
BI: “No começo, a corrida fazia parte da minha rotina, mas, com o tempo, percebi que era muito mais do que um esporte. Virou um desafio, uma forma de autocuidado e também uma maneira de compartilhar a minha vida real.
Nas redes sociais, eu mostrava meu dia a dia, tentando equilibrar trabalho, treinos e vida pessoal. A comunidade foi crescendo de forma espontânea, e as marcas começaram a chegar. Foi aí que percebi que existia uma nova possibilidade profissional. Em 2023, comecei a planejar minha transição e a chegada de um sucessor para a minha posição no mercado corporativo.
Conteúdos relacionados Fitness
Depois desse processo, deixei o mercado corporativo para me dedicar integralmente ao esporte e à produção de conteúdo. A corrida acabou se tornando uma ferramenta de transformação em diferentes áreas da minha vida”.
SL: Você encarou uma ultramaratona de 134 km no Canadá. Como foi enfrentar uma prova com esse nível de dificuldade?
BI: “Foi uma experiência muito intensa. O percurso tinha trilhas, longas subidas e descidas, pedras, lama e rios, além de aproximadamente 6 mil metros de ganho de elevação.
Foram muitas horas de prova, e o corpo passou por diferentes níveis de esforço. Também existiram momentos de medo, cansaço, insegurança e vontade de parar. Acho que uma das principais coisas que aprendi foi que não preciso me sentir forte o tempo inteiro. Às vezes, basta pensar no próximo passo.
Percebi também que cerca de 80% do desafio está na mente. É preciso respeitar o corpo e os próprios limites, mas também confiar no processo. Voltei dessa prova diferente, tanto como corredora quanto como pessoa. Muitas vezes, o nosso maior limite está na cabeça”.
SL: Qual foi o momento mais difícil durante os 134 km?
BI: “Os quilômetros finais foram os mais difíceis. Meu corpo estava completamente exausto e, mentalmente, eu também já estava muito desgastada. Cheguei a ficar delirando e vendo rostos nas árvores. Nesse momento, precisei voltar para o básico: respirar, dar o próximo passo e não pensar em quanto ainda faltava.
Transformei a parte final em pequenas metas. Pensava no próximo quilômetro, na próxima subida ou no próximo ponto. Quando a gente olha para uma distância tão grande de uma vez, ela pode parecer impossível. Dividir o desafio ajuda a torná-lo mais possível”.
SL: O que o Canadá ensinou para você sobre corrida e sobre você mesma?
BI: “Aprendi a respeitar mais o meu próprio ritmo e a confiar no processo. Também entendi ainda mais a importância da estratégia e da paciência. Em uma prova longa, não dá para querer acelerar tudo. É preciso entender o próprio corpo e saber administrar energia, esforço e emoções.
Para os próximos desafios, quero levar justamente isso comigo: não ter pressa, ouvir meu corpo e conseguir atravessar momentos difíceis sem perder a confiança. Acho que cada desafio também é uma oportunidade de se conhecer melhor e tentar ser 1% melhor”.
SL: Depois de uma prova de 135 km, você agora encara uma maratona de 42 km. A distância menor torna o desafio mais fácil?
BI: “Não necessariamente. São provas completamente diferentes. A ultramaratona exige muita estratégia para administrar esforço, alimentação e energia durante muitas horas. Na maratona, existe uma exigência maior de sustentar um ritmo mais alto durante toda a prova.
A experiência com a ultramaratona me dá confiança, mas isso não significa que uma maratona seja fácil. Cada corrida tem suas características e seus próprios desafios”.
SL: Como é a preparação para uma prova tão longa?
BI: “A rotina exige muita disciplina e organização. O treinamento é apenas uma parte da preparação. Também preciso cuidar do descanso, da alimentação, da hidratação, da recuperação e da parte mental. A preparação começa meses antes da prova, com treinos longos, ajustes e alguns sacrifícios.
Também existem aqueles dias em que você precisa treinar mesmo sem estar motivada. A ultramaratona começa muito antes da largada”.
SL: Para quem está começando a correr, qual é o maior erro?
BI: “Acho que é querer correr rápido demais e se comparar com outras pessoas. Cada pessoa tem um corpo, um ritmo e uma história diferente. Não existe necessidade de começar pensando em distância, pace ou performance.
Você pode começar com alguns minutos, caminhar, alternar corrida e caminhada ou simplesmente criar o hábito de sair de casa. O mais importante é encontrar uma rotina que seja sustentável e prazerosa”.

Bruna dá dicas para quem quer evoluir na corrida – Foto: Henrique Tarricone
SL: Existe algum segredo para evoluir na corrida?
BI: “A evolução é gradual. Meu lema é ser 1% melhor do que ontem. Pequenos avanços, consistência e paciência fazem muita diferença. E correr melhor não significa necessariamente correr mais rápido. Também significa conhecer o próprio corpo, entender os sinais e respeitar os limites”.
SL: Que conselho você daria para quem quer começar a correr?
BI: “Não se compare e não tenha pressa. Cada corpo, ritmo e história são diferentes. Comece de onde você está, respeite seu corpo e comemore as pequenas evoluções.
Nem todo treino será maravilhoso, e isso faz parte. Para mim, o mais importante é encontrar uma forma de correr que seja sustentável e que traga prazer”.