Pode tomar pré-treino todos os dias? Entenda os riscos para o coração

Uso frequente de estimulantes pode mascarar o cansaço e exige atenção à quantidade de cafeína consumida ao longo do dia

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Treinar depois de um dia inteiro de trabalho pode ser difícil quando o corpo já está cansado. Nessa situação, algumas pessoas recorrem ao café, energético ou pré-treino para tentar recuperar a disposição antes da academia.

A cafeína pode aumentar temporariamente o estado de alerta e reduzir a percepção de fadiga. Isso, porém, não significa que o organismo esteja realmente recuperado.

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Conheça os riscos de recorrer ao pré-treino todos os dias para ganhar energia - Foto: Shutterstock

O problema aparece quando o estimulante deixa de ser uma estratégia pontual e passa a ser necessário para conseguir treinar. Nesse cenário, é importante observar o que está causando o cansaço e também ficar atento às respostas do coração.

Pré-treino pode acelerar o coração?

Durante o exercício, é esperado que a frequência cardíaca aumente. O corpo precisa de mais esforço para acompanhar a demanda provocada pela atividade física.

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Isso não significa, porém, que qualquer sensação de coração acelerado depois do consumo de um estimulante seja normal. A cafeína pode provocar palpitações, aumento da frequência cardíaca e alterações na pressão arterial.

A resposta também depende da quantidade consumida e da sensibilidade de cada pessoa. Por isso, o uso frequente de pré-treino merece atenção, principalmente quando outros produtos com cafeína também fazem parte da rotina.

A cafeína do dia inteiro também conta

Não é apenas a dose de pré-treino que deve ser considerada. A cafeína pode estar presente em diferentes momentos do dia.

Uma pessoa pode tomar café pela manhã, repetir a bebida durante o trabalho, consumir refrigerantes ou outros produtos cafeinados e ainda usar um energético ou suplemento antes da academia.

“Não devemos avaliar apenas uma lata isoladamente. É preciso perguntar quanto de cafeína aquela pessoa está consumindo durante todo o dia”, alerta o cardiologista Daniel Petlik.

Segundo o médico, algumas pessoas são mais sensíveis aos estimulantes. Pacientes com determinadas condições cardiovasculares também precisam de atenção ainda maior.

Pré-treino não substitui uma boa noite de sono

Sentir-se mais desperto depois de consumir cafeína não significa que o corpo esteja recuperado. Essa diferença é importante para quem mantém uma rotina de exercícios.

Dormir pouco, acumular vários dias de cansaço ou não se alimentar adequadamente são situações que podem afetar a disposição. O estimulante pode diminuir temporariamente a percepção da fadiga, mas não corrige a causa do problema.

Para a cardiologista Bárbara Fagundes, titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e ecocardiografista pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC), a saúde cardiovascular depende de um conjunto de hábitos.

“Hoje, a maioria das pessoas sabe que precisa se alimentar melhor, fazer atividade física, dormir bem, controlar o estresse e acompanhar a pressão e o colesterol”, explica.

Por isso, a recuperação também precisa fazer parte da rotina de quem treina. Se a pessoa precisa aumentar cada vez mais o consumo de estimulantes para conseguir se exercitar, vale observar o nível de cansaço e os demais hábitos do dia a dia.

Energético antes do treino melhora a performance?

A cafeína pode fazer parte de estratégias esportivas específicas. Isso não significa, porém, que o energético ou o pré-treino seja obrigatório para quem pratica atividade física.

“Existe uma diferença entre uma estratégia planejada para determinado atleta e simplesmente tomar energético antes de todo treino porque acredita que sem ele não conseguirá render”, explica Daniel.

O cardiologista também destaca que uma necessidade constante de estimulantes pode ser um motivo para avaliar sono, alimentação, recuperação e o próprio nível de cansaço.

Outro ponto importante é que pré-treinos e energéticos não têm uma composição única. As fórmulas podem variar, assim como a quantidade de cafeína e a presença de outros componentes.

Por isso, comparar produtos apenas pela sensação de energia que provocam pode não mostrar o quadro completo.

Quando a palpitação merece atenção?

O exercício provoca respostas cardiovasculares naturais. O que merece cuidado são sintomas que fogem do padrão habitual da pessoa, principalmente quando são intensos ou persistentes.

Palpitações acompanhadas de dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou mal-estar importante não devem ser simplesmente atribuídas ao treino ou ao efeito do suplemento.

A atenção deve ser ainda maior em pessoas com histórico cardiovascular ou fatores de risco. A prática regular de exercícios é importante para a saúde do coração, mas isso não significa que qualquer estratégia de treino ou uso de estimulantes seja adequada para todos.

Mais estímulo não significa mais performance

A sensação de estar mais alerta pode dar a impressão de que o treino será melhor. No entanto, o desempenho também depende do que acontece fora da academia.

Sono, recuperação, alimentação, condicionamento e regularidade fazem parte da rotina de quem busca evolução. O estimulante pode alterar temporariamente a percepção de fadiga, mas não substitui esses fatores.

Por isso, antes de transformar o pré-treino em uma etapa obrigatória do treino, vale observar a própria rotina. Se treinar sem cafeína parece impossível, as doses estão aumentando ou as palpitações passaram a fazer parte dos exercícios, é importante olhar para esses sinais com atenção.

Em alguns dias, melhorar o treino pode significar mais do que buscar energia para continuar. Pode também significar reconhecer quando o corpo precisa de recuperação.