Saúde

IMC: entenda o índice e o motivo dele não servir aos atletas

Muito se fala do IMC como fator importante para determinar o risco de uma lesão. No entanto, ele não é interessante para os atletas

Foto: Shutterstock

Você já deve ter lido em algum lugar sobre o Índice de Massa Corporal, popularmente conhecido como IMC. Esse índice refere-se a um cálculo de seu peso ao quadrado dividido pela sua altura. Ele já serviu como indicativo para as chances de lesão, pois quanto mais pesado, maiores serão as forças de reação do solo (impactos) aplicados em ossos, cartilagens e tendões.

Por exemplo, um indivíduo com 80 kg e que mede 1,75m terá um IMC de 26,12. Ele será classificado como tendo sobrepeso, ou seja, já se coloca em risco de sofrer alguma lesão. A faixa ideal é entre 20 e 25. Abaixo disso é considerado baixo peso. Já quem ultrapassa 30 na conta é considerado obeso.

No entanto, estudos recentes vêm questionando o IMC porque o índice pode gerar algumas distorções na hora de avaliar fatores de risco. Uma pessoa com uma conformação física mais robusta, com maior massa muscular e densidade óssea pode ser avaliada como sobrepeso, embora trate-se de alguém saudável e com menor risco de se machucar. Igualmente, um corredor supostamente magro, de acordo com o seu IMC, mas com pouca massa muscular e mais fraco que o ideal o coloca em risco de se lesionar.

“O cálculo do IMC não é indicado para pacientes oncológicos, gestantes e atletas. No caso dos esportistas, não é interessante, pois tais indivíduos possuem um peso maior por conta do ganho de massa muscular. Sendo assim, os parâmetros para desportistas são outros. No caso de crianças, há outros gráficos. Inclusive os da caderneta infantil que são ideais para os pequenos. Nos idosos, o cálculo deve se adaptar e não se pode simplesmente recomendar uma perda de peso. Pois, por conta da idade, há também a perda de massa muscular”, conta a nutricionista Andréia Camilla Oliveira, que atende pelo GetNinjas.

Então, quando utilizar o IMC?

“Ele é um índice internacional que mede um padrão de normalidade de peso baseado em um cálculo de obesidade. Adotado pela OMS (Organização mundial de Saúde), o parâmetro é abrangente e é interessante para a população no geral que não apresenta doenças pré-existentes”, reforça Andréia.

Então, se você é atleta já sabe que se basear pelo IMC não é a melhor solução. Mas quais os indicativos podem ser úteis? “O IMC é um índice que traz a informação sobre o peso e se resume a um gráfico. Então, não posso usar apenas o resultado para determinar se um indivíduo está ou não saudável, pois o índice só classifica a pessoa em ‘baixo peso’ e ‘sobrepeso’. Sendo assim, para a avaliação e mapeamento de fatores de risco de cada um, é necessário uma interpretação do estilo de vida. Consequentemente, é preciso levar em conta fatores como a alimentação equilibrada, a prática de atividades físicas e até mesmo a saúde mental. No escritório eu falo de cinco pilares. Eles incluem alimentação, exercícios, hidratação, sono e evacuação”, conclui.

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