Segurar halteres, apoiar as mãos no chão durante uma flexão e sustentar o corpo em uma prancha são movimentos comuns na academia. Mas você já parou para pensar no esforço que eles exigem dos punhos? Quando surge dor ou formigamento, vale prestar atenção.
Nem todo desconforto indica uma lesão importante. Ainda assim, insistir em movimentos que provocam sintomas não deve ser considerado parte normal do treino. A repetição pode contribuir para a sobrecarga dos tendões e nervos, principalmente quando os sinais são ignorados.

Segundo o ortopedista André Pires, que atua em Cirurgia da Mão e do Punho, reconhecer os primeiros sintomas ajuda a identificar alterações antes que elas se tornem mais limitantes.
“Muitas pessoas ignoram os primeiros sinais, achando que o formigamento noturno ou um incômodo leve no polegar vai passar sozinho”, alerta o médico. Ele explica que a repetição contínua dos movimentos pode inflamar os tendões e comprimir os nervos.
Quais sinais no punho merecem atenção durante o treino?
A dor não é o único sinal de que algo pode estar errado. Alterações na sensibilidade e na força das mãos também merecem atenção, principalmente quando aparecem com frequência.
Fique de olho nestes sintomas:
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- Formigamento ou dormência: especialmente nos dedos polegar, indicador e médio.
- Choques ou queimação: sensações que podem aparecer na palma da mão ou no punho.
- Perda de força: dificuldade para segurar halteres, barras ou outros objetos.
- Dor recorrente: desconforto que reaparece durante os exercícios ou continua após o treino.
Perceber a pegada mais fraca nem sempre significa apenas fadiga muscular. Se isso acontece repetidamente ou começa a atrapalhar tarefas do dia a dia, vale procurar avaliação profissional.
O mesmo cuidado se aplica ao formigamento durante a noite e ao incômodo na região do polegar. Mesmo que pareçam leves, esses sintomas não devem ser ignorados.
A posição do punho pode influenciar o treino?
Sim! A posição da articulação merece atenção em exercícios que exigem apoio das mãos ou força para segurar cargas.
Manter o punho em uma posição adequada ao movimento pode ajudar a evitar sobrecargas desnecessárias. Porém, não existe uma posição única para todos os exercícios. A execução depende da atividade e das características de cada pessoa.
O principal cuidado é não insistir em um movimento que provoca dor. Aumentar a carga ou repetir o exercício esperando que o corpo se acostume pode prolongar o desconforto.
Se determinado movimento provoca sintomas com frequência, vale revisar a execução com um profissional de educação física. Quando há dor persistente, formigamento ou perda de força, também é importante investigar a causa.
O punho pode doer por causa da rotina fora da academia?
Sim. Os punhos não trabalham apenas durante a musculação. Ao longo do dia, eles também são usados para digitar no computador, segurar o celular e realizar movimentos repetitivos.
Por isso, a dor percebida durante um exercício nem sempre começa na academia. A rotina diária pode contribuir para a sobrecarga dos tendões e nervos. Com isso, os sintomas podem ficar mais evidentes durante o treino.
Entre as condições que afetam essa região estão a síndrome do túnel do carpo e a tenossinovite de De Quervain.
A síndrome do túnel do carpo envolve a compressão do nervo mediano no punho. Já a tenossinovite de De Quervain afeta os tendões próximos ao polegar e pode causar dor durante determinados movimentos da mão.
Como essas condições têm características diferentes, a avaliação profissional é importante para identificar o problema e orientar o tratamento adequado.
Alongar o punho ajuda a aliviar a dor?
Alongamentos suaves dos flexores e extensores dos dedos e do punho podem fazer parte dos cuidados para reduzir sobrecargas relacionadas a movimentos repetitivos. Mas isso não significa que alongar seja suficiente para tratar qualquer desconforto.
Quando há formigamento persistente, dormência, sensação de choque, perda de força ou dor recorrente, o mais importante é descobrir a causa.
Continuar treinando sem investigar os sintomas pode prolongar o problema. Também é importante diferenciar o desconforto muscular esperado após determinados exercícios de alterações articulares ou nervosas que aparecem repetidamente.
Se um movimento provoca dor, não force o alongamento nem insista no exercício para tentar aliviar a sensação.
É preciso parar de treinar quando o punho dói?
Nem sempre é necessário interromper toda a rotina de exercícios. A conduta depende da causa dos sintomas, da intensidade da dor e da avaliação profissional.
Em algumas situações, ajustes nos exercícios, tratamento conservador e fisioterapia podem fazer parte da recuperação. Em outras, pode ser necessário um tratamento específico, conforme o diagnóstico.
O ortopedista André Pires explica que técnicas minimamente invasivas também podem ser utilizadas em determinados casos que exigem cirurgia.
“Essas técnicas reduzem o trauma nos tecidos, provocam menos dor no pós-operatório e permitem que o paciente retorne às suas atividades cotidianas e profissionais em um tempo significativamente menor”, afirma.
A indicação desse tipo de procedimento depende de cada caso. Por isso, identificar a causa dos sintomas é importante para definir o tratamento mais adequado.
Para quem treina, o cuidado principal é não esperar que o desconforto se torne incapacitante para buscar ajuda. Dor recorrente, formigamento, dormência e perda de força não significam que o exercício está funcionando melhor.
Aumentar a carga faz parte da evolução nos treinos. Mas reconhecer os sinais do corpo também é importante. Se os sintomas persistirem ou voltarem com frequência, procure avaliação profissional antes de insistir nos movimentos que provocam desconforto.