Caso Andreas Pereira reforça importância da saúde mental no esporte

Psicanalista especializado em performance esportiva analisa rendimento do atleta após falha na final da Libertadores

Patrick de Paula (Palmeiras) e Andreas Pereira (Flamengo) em disputa de bola na final da Libertadores / Foto: reprodução Twitter @LibertadoresBR
Patrick de Paula (Palmeiras) e Andreas Pereira (Flamengo) em disputa de bola na final da Libertadores / Foto: reprodução Twitter @LibertadoresBR

O talentoso Andreas Pereira, de 26 anos, sempre foi considerado um jogador de futebol muito promissor. Filho de pais brasileiros, ele nasceu em Duffel, na Bélgica, e iniciou sua carreira como atleta profissional em clubes europeus. Mas, em agosto de 2021, o meio-campista foi contratado pelo Flamengo para substituir o ídolo Gerson.

Além da missão de manter o alto nível e suprir as necessidades técnicas do clube carioca, Andreas ainda carregava o peso do investimento milionário que o Flamengo teria que fazer para lhe adquirir em definitivo – algo em torno dos 60 milhões de reais.

Mas, inicialmente, isso não foi problema para o jogador, que rapidamente tomou conta da posição e conquistou o carinho da torcida rubro-negra. Tudo parecia favorável para Andreas, até a chegada do fatídico dia 27 de novembro de 2021 – data da final da Libertadores, contra o Palmeiras.

O jogo foi muito disputado e terminou empatado em 1 x 1 durante o tempo regulamentar. Na prorrogação, no entanto, Andreas cometeu um erro técnico, perdeu a bola no meio de campo e viu o atacante Deyverson fazer o gol do título para o Palmeiras.

De lá para cá, o rendimento de Andreas Pereira com a camisa do Flamengo não foi o mesmo. De acordo com a Coluna do Fla, o camisa 18 da equipe rubro-negra foi relacionado para todas as partidas do time sob o comando do treinador Paulo Sousa, mas participou apenas de seis jogos – todos como titular.

Nessas partidas, Andreas não fez gols ou deu assistências. Porém, o meia já soma 25 passes errados e 11 perdas de posse de bola. Vive, portanto, um nítido declínio técnico que, de acordo com o psicanalista especializado em performance esportiva, Lincoln Nunes, pode ter relação direta com a saúde mental do atleta.

“O que o Andreas passou, por mais que não queiram aceitar, é um momento crítico, um trauma. E isso precisa ser trabalhado para que o atleta recupere a performance. Todos sabem da capacidade e do senhor jogador que ele é”, analisa o especialista.

Segundo ele, no entanto, apenas uma avaliação mais criteriosa e exames específicos seriam capazes de diagnosticar um possível distúrbio mental adquirido após o erro na final da Libertadores. Para o psicanalista, ignorar a saúde mental de Andreas, nesse momento, é como abastecer diariamente uma Ferrari com combustível adulterado. Uma hora o veículo vai quebrar.

“O propósito profundo é a intenção que pode ser ou não consciente que te leva a executar uma função que tenha alguma grande consequência na vida. Ou seja, Andreas chegou com o grande propósito de ser campeão da América com o Flamengo e acabou sendo peça fundamental para que o título não viesse. E agora, qual o propósito? Permanecer? Dar a volta por cima? O certo é que ele precisa de algum tipo de assistência emocional nesse momento”, finaliza Lincoln.

O Flamengo de Andreas volta à campo amanhã (12), às 19h30, contra o Bangu, em partida válida pelo Campeonato Carioca. Mais uma chance para o meia reconquistar a confiança e o bom futebol.

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