Treino de força pode contribuir para prevenção da osteoporose? Entenda

Exercícios podem ajudar a preservar a saúde óssea, fortalecer os músculos e melhorar a capacidade funcional

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A osteoporose é uma doença silenciosa e progressiva que reduz a densidade e a resistência dos ossos. Com isso, eles ficam mais frágeis e suscetíveis a fraturas, inclusive após quedas ou impactos leves. Embora seja mais associada ao envelhecimento, a atenção à saúde óssea deve começar antes da terceira idade.

Nesse contexto, o treino de força pode contribuir para a manutenção da estrutura óssea. Quando planejado de acordo com as condições de cada pessoa, também fortalece os músculos e melhora a capacidade funcional. Esses benefícios são importantes para ajudar a reduzir o risco de quedas.

osteoporose
Veja quem deve ter atenção redobrada e como começar com segurança com a prática da musculação - Foto: Magnific

Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença no Brasil. No cenário mundial, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose.

A entidade também alerta para uma lacuna no cuidado: apenas um em cada cinco casos diagnosticados recebe algum tipo de tratamento. Os números reforçam a importância da prevenção e da identificação dos fatores de risco.

Como o treino de força ajuda na saúde dos ossos?

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Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem durante os movimentos e a atividade muscular. Por isso, exercícios resistidos, como a musculação, podem contribuir para preservar a estrutura óssea ao longo do tempo.

“A musculação precisa ser entendida também como um investimento na saúde óssea. Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem, e exercícios bem prescritos podem contribuir para preservar sua estrutura ao longo do tempo. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno, considerar seu histórico e progredir de maneira segura e consistente”, explica Jauan Anselmo, profissional de Educação Física com atuação em fisiologia do exercício.

Além de contribuir para a saúde dos ossos, o treino de força fortalece os músculos e melhora a capacidade funcional. Esses fatores são importantes para reduzir o risco de quedas e preservar a autonomia.

Vale lembrar que a atividade física faz parte de uma estratégia mais ampla de prevenção e cuidado. O treino não substitui exames, diagnóstico ou tratamento médico.

Quem deve ter mais atenção aos fatores de risco?

A saúde óssea merece atenção especial entre mulheres a partir dos 40 anos. Esse cuidado é ainda mais importante durante a transição para a menopausa e após esse período, quando as mudanças hormonais podem acelerar a perda de massa óssea.

Pessoas sedentárias e indivíduos com histórico familiar de osteoporose também devem considerar esses fatores ao planejar uma rotina de exercícios. A avaliação profissional ajuda a definir os cuidados de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Uma pesquisa divulgada pelo Jornal da USP, com participação do Laboratório de Bioengenharia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, identificou resultados favoráveis da atividade física para a saúde óssea após a menopausa. Os estudos do grupo apontaram benefícios relacionados à quantidade de minerais nos ossos e à microarquitetura óssea.

Como adaptar o treino de força para cada pessoa?

A escolha dos exercícios deve considerar o condicionamento físico, a mobilidade e a experiência de cada pessoa com atividades físicas. Também é importante levar em conta o histórico individual e progredir de maneira segura.

Jauan Anselmo, que trabalha com treinos individualizados há mais de dez anos, destaca a importância de respeitar essas diferenças. Movimentos multiarticulares, como agachamentos e exercícios de desenvolvimento, podem fazer parte do planejamento. Para isso, precisam ser adequados à capacidade individual e executados com técnica correta.

“Não existe uma ficha de treino que sirva para todo mundo. Para quem está começando, para mulheres no período da menopausa ou para quem tem histórico familiar de osteoporose, precisamos olhar para o contexto de cada pessoa e construir uma rotina possível, segura e progressiva, sempre com acompanhamento médico”, afirma o profissional.

Por que a prevenção deve começar antes dos sintomas?

A osteoporose pode evoluir sem sinais evidentes até a ocorrência de uma fratura. Segundo a IOF, podem ocorrer até 37 milhões de fraturas por fragilidade óssea por ano entre pessoas com mais de 55 anos em todo o mundo. Isso representa uma média de aproximadamente 70 fraturas por minuto.

A entidade também alerta que a doença permanece subdiagnosticada e subtratada. Por isso, a prevenção deve fazer parte dos cuidados com a saúde antes do aparecimento de complicações.

Além da prática regular de exercícios, essa estratégia inclui alimentação adequada e acompanhamento dos profissionais de saúde. O treino de força pode contribuir para a manutenção da saúde óssea, da força muscular e da capacidade funcional, mas não deve ser considerado uma forma isolada de prevenção ou tratamento.

“Cuidar dos ossos não é uma preocupação que deve surgir apenas depois de uma fratura ou quando a idade avança. Construir força ao longo da vida é uma forma de investir na autonomia e na qualidade de vida no futuro. O melhor momento para começar é aquele em que a pessoa consegue dar o primeiro passo, com orientação e um plano adequado à sua realidade”, conclui Jauan Anselmo.