Treino híbrido bomba entre famosos: veja como juntar corrida e musculação

Jade Picon, Lucas Lucco e Mateus Verdelho entram na onda; nutricionista e profissional de Educação Física, ensina a equilibrar força, corrida e recuperação.

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O treino híbrido virou assunto nas academias, nas pistas de corrida e nas redes sociais. A ideia é juntar corrida, musculação e exercícios funcionais numa mesma rotina, para desenvolver várias capacidades físicas ao mesmo tempo. Entre os nomes associados à proposta estão Jade Picon, Lucas Lucco e Mateus Verdelho, que encontrou no HYROX um jeito novo de desafiar o condicionamento.

Mas misturar modalidades é sempre melhor do que focar em uma só? E como fazer isso sem estourar a recuperação? Para o nutricionista e profissional de Educação Física Daniel Reis, tudo depende do objetivo e do perfil de cada pessoa.

Treino híbrido bomba entre famosos: veja como juntar corrida e musculação
Foto: Airam Dato-on/Pexels

“O objetivo não deve ser simplesmente treinar mais, mas combinar estímulos de maneira compatível com a condição física, a rotina e os objetivos de cada pessoa”, afirma.

Treino híbrido entre os famosos

Jade Picon já contou que alterna treino funcional, futevôlei e boxe. Lucas Lucco, por sua vez, já falou publicamente sobre a relação entre corrida e musculação, inclusive sobre manter a massa muscular.

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Para Daniel Reis, os exemplos mostram que dá para trabalhar força, resistência e condicionamento na mesma semana. Mas ele faz um alerta: “A escolha das modalidades, a frequência e a intensidade dos exercícios devem levar em conta a experiência de treinamento e a capacidade de recuperação de cada pessoa”.

O que é treino híbrido?

Segundo Daniel Reis, o treino híbrido combina modalidades ou estímulos diferentes. Em geral, une musculação e exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo. A programação também pode incluir exercícios funcionais e outras atividades que desenvolvam força e resistência.

Na literatura científica, a mistura de força com resistência se chama treinamento concorrente. E não é preciso fazer tudo no mesmo dia: os estímulos podem ser distribuídos ao longo da semana.

O especialista citou uma revisão publicada em 2026 na revista Sports Medicine. O trabalho reuniu 17 meta-análises, com 144 estudos individuais e 1.492 participantes saudáveis. Pelos resultados, combinar força e resistência pode melhorar o condicionamento aeróbico e favorecer ganhos de força, sem necessariamente comprometer a hipertrofia. Os efeitos variam conforme volume, intensidade e nível de treinamento.

Na leitura de Daniel, quem quer ganhar massa não precisa abandonar a corrida. “Da mesma forma, a musculação pode fazer parte da preparação de quem tem como prioridade melhorar o condicionamento aeróbico”.

HYROX: treino híbrido em formato de prova

Um dos grandes responsáveis pela visibilidade do treino híbrido é o HYROX, competição indoor que alterna corrida e estações de exercícios funcionais.

No formato individual tradicional, são oito trechos de corrida de 1 km, intercalados com oito estações:

  • SkiErg, que simula o movimento do esqui

  • Empurrar e puxar trenós

  • Burpees com salto em distância

  • Remo

  • Transporte de pesos

  • Avanços com saco de areia

  • Arremessos de bola medicinal contra a parede, os wall balls

Para Daniel Reis, a alternância exige atenção ao ritmo, à execução dos movimentos e à administração do esforço, principalmente quando a fadiga se acumula. A prova também tem formatos em duplas e revezamentos, com exigências próprias de cada categoria. Para ele, a preparação pode ser adaptada a diferentes níveis, mas o treinamento deve avançar de forma progressiva.

Modelo e influenciador, Mateus Verdelho treina regularmente para as provas e participa de competições do circuito. Com isso, levou a experiência esportiva para além das redes sociais.

Benefícios do treino híbrido

De acordo com Daniel Reis, juntar força e resistência pode contribuir para vários aspectos do condicionamento:

  • Melhora da capacidade cardiorrespiratória

  • Mais resistência muscular

  • Trabalho de diferentes grupos musculares, com movimentos de empurrar, puxar e carregar peso

  • Estímulo à coordenação e ao controle do esforço

Ele lembra ainda que ter uma meta, como participar de uma prova, pode ajudar na regularidade. “Para algumas pessoas, ter um objetivo esportivo, como participar de uma prova, pode funcionar como incentivo à regularidade dos exercícios”. Daniel pondera, porém, que os benefícios vêm da prática adequada de força e resistência e não dependem de competir.

Correr atrapalha o ganho de massa no treino híbrido?

Essa é uma dúvida clássica de quem faz musculação. Segundo Daniel Reis, a resposta depende de como as atividades são organizadas.

“Quando o volume de corrida é muito elevado, a intensidade é excessiva e a recuperação é insuficiente, pode ficar mais difícil manter a qualidade das sessões de musculação. Por outro lado, a combinação bem planejada permite desenvolver força e resistência na mesma rotina”, explica.

Quem prioriza hipertrofia deve cuidar da qualidade dos treinos de força e observar como as sessões aeróbicas mais puxadas afetam o desempenho. Já quem sonha com o HYROX precisa construir aos poucos a capacidade de correr e executar exercícios funcionais cansado.

Para organizar a rotina, o especialista sugere:

  1. Estabeleça uma prioridade.

  2. Distribua os estímulos ao longo da semana.

  3. Aumente a carga progressivamente.

  4. Respeite os sinais do corpo.

Fadiga persistente, queda de rendimento, dores que pioram e mudanças importantes no sono merecem atenção. Daniel também destaca a técnica, sobretudo em exercícios feitos sob cansaço, como nas estações do HYROX.

Comida e água no treino híbrido

Mais treino pede mais atenção ao prato. Segundo Daniel Reis, se a ingestão de energia não acompanha as demandas, podem surgir fadiga, dificuldade de recuperação e queda de desempenho.

“As proteínas participam da recuperação e da manutenção da massa muscular, enquanto os carboidratos são uma importante fonte de energia para a corrida e as sessões mais intensas. Frutas, verduras, legumes, cereais e outras fontes variadas de nutrientes também ajudam a compor uma alimentação equilibrada”.

A quantidade ideal depende de peso corporal, frequência, intensidade, objetivos e características individuais. “Por isso, não existe uma única dieta indicada para todos os praticantes de treinamento híbrido”, afirma.

Para quem quer reduzir gordura e preservar músculo, a estratégia deve considerar objetivos estéticos, saúde e desempenho. O ideal é evitar cortes calóricos exagerados quando o volume de treino sobe. “A hidratação também merece atenção especial em sessões prolongadas, ambientes quentes e atividades com grande perda de suor”.

Como começar o treino híbrido sem exagerar

Você não precisa copiar a rotina de atletas ou celebridades. Para pessoas saudáveis que estão começando, Daniel Reis sugere distribuir na semana duas sessões de musculação e duas sessões aeróbicas leves ou moderadas. Isso vale desde que a frequência combine com a condição física e a disponibilidade de cada um.

Duração, intensidade e escolha dos exercícios devem ser ajustadas conforme a adaptação. Quem pensa em encarar o HYROX precisa primeiro montar uma base de força e resistência e só depois avançar para treinos específicos.

“Pessoas sedentárias, com histórico de lesões ou condições de saúde que possam interferir na prática devem buscar orientação adequada antes de iniciar uma programação exigente. Dor no peito, tontura, desmaio ou falta de ar desproporcional ao esforço exigem a interrupção da atividade e avaliação médica”.