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Camila Hirsch: vida saudável pelas ondas do rádio

A educadora física e treinadora Camila Hirsch, da assessoria esportiva Personal Life, leva a boa palavra da vida saudável para milhares de ouvintes pelo Brasil

Camila Hirsch correndo
Foto: Marcelo Trad

 

Camila Hirsch correndo

Foto: Marcelo Trad

Sua voz rouca talvez não fizesse sucesso apresentando uma sinfonia de Mozart, mas na BandNews FM, onde pilota o BandNews Em Forma, a educadora física paulistana Camila Hirsch está em seu elemento. Há quatro anos, quando substituiu o treinador Marcos Paulo Reis na condução do programa, ela passou a fazer com gosto uma dobradinha com a jornalista Renata Veneri na tarefa de tirar dezenas, centenas, milhares de ouvintes do sedentarismo.

Nadadora na infância, bailarina na adolescência e triatleta e maratonista na vida adulta, ela se formou em educação física e esporte pela USP para logo em seguida pegar o boom da corrida em São Paulo, trabalhando por seis anos na assessoria MPR, de Reis – a quem, ironicamente, viria a substituir na BandNews.

Em 2000, abriu com o irmão sua própria assessoria esportiva, a Personal Life, hoje com cerca de 200 alunos, e passou a se tornar figura fácil em sites e publicações de corrida e atividade física. Atualmente, mantém uma coluna no portal Sua Corrida, da Iguana, empresa que organiza provas e circuitos como a Run the Night e o Vênus.

Camila Hirsch correndo

Foto: Marcelo Trad

Gravado na terça para ir ao ar no sábado, o programa da Band, de uma hora de duração, é curto para a quantidade de informação e histórias de superação ali contadas. Quatro boletins diários de até 4 min também vão ao ar durante a semana. Camila disse à Sport Life que responde a todas as dúvidas de ouvintes e menciona no programa os muitos e-mails que chegam à produção.

Os ouvintes que a procuram podem ser, grosso modo, agrupados assim: há os que acham que é tarde demais para começar a malhar, os que dizem não ter tempo (ou ter tempo muito escasso) para a atividade física e, finalmente, aqueles que suavam na adolescência e agora, anos depois, já não sabem como recomeçar. A todos, Camila procura dar recomendações ponderadas.

Lesão no quadril

Camila Hirsch fazendo exercício

Foto: Marcelo Trad

Na década de 1990, chegou a se mudar para a Califórnia (EUA) para estar no epicentro mundial do triatlo e fazer sua especialização acadêmica. Ao voltar, na virada para os anos 2000, entrou com gosto nos primeiros circuitos de aventura brasileiros. Mas, numa época em que patrocínio significava no máximo ganhar um ou outro equipamento esportivo, era difícil viver daquilo.

As coisas iriam se complicar em 2005, quando começou a sentir uma lesão no quadril, que a jogaria por um bom tempo no estaleiro. As dores começaram em outubro, numa viagem de avião, quando voltava de Chicago, aonde foi acompanhar o desempenho de seus alunos na famosa maratona local. Foram oito meses sem conseguir apoiar o pé no chão.

A contusão, mais tarde diagnosticada como lesão do lábrum, era similar àquela que acabou por minar a carreira do tenista Gustavo Kuerten, mas, diferentemente do nosso último grande tenista, Camila preferiu não entrar na faca. Os médicos, que demoraram a descobrir o problema, disseram a ela que as chances de cura total eram baixas. Mas havia a saída pela fisioterapia, e Camila trabalhou duro por longos dois anos para voltar à ativa.

+Entrevista com Camila Hirsch: a importância da corrida e a luta contra o sedentarismo

A lesão do lábrum fez com que ela abortasse o desejo de completar dez maratonas em dez anos. Chegou a participar de três, com bons resultados em Paris, em 2005 (um sub 3h40min), e o personal best na Disney de Orlando, no ano anterior, com 3h32min09seg. A contusão e o crescente entusiasmo pelo treino funcional fizeram com que ela mudasse sua opinião sobre a corrida.

“Vejo a corrida hoje como um esporte com certas limitações biomecânicas, que podem inibir o desenvolvimento de outras habilidades.” Mas ela não perdeu o gosto pela coisa, longe disso. “Olhando para todas as atividades que pratiquei e pratico, como a natação e o balé, a corrida sempre estava ali, no suporte, no treino fora das piscinas e dos tablados. Por isso quero voltar a correr logo pelo menos uma meia maratona.”

Camila Hirsch fazendo exercício

Foto: Marcelo Trad

A rotina de Camila hoje inclui muito treino funcional, atividade que ela acredita ter sido uma das primeiras a difundir em São Paulo. “A Personal Life foi uma das primeiras a trazer os exercícios funcionais para dentro da corrida. Eles ajudam o corredor a tirar força para dar uma passada, a não sobrecarregar determinadas partes do corpo, a reduzir o risco de lesões. Quando bem aplicado, o funcional possibilita ao aluno evoluir muito”, diz.

Aos 40 anos, mãe de dois filhos pequenos, Camila tem uma rotina puxada, mas ela jamais usaria a falta de tempo como justificativa para deixar para amanhã o que dá para treinar hoje. A desculpa, tão comum entre seus ouvintes e leitores, no caso dela seria muito mais do que esfarrapada: seria contraditória com tudo o que fala e escreve. Como ela diz, “quem quer, dá um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. Chega de desculpas e bora treinar, galera!”. Fica a dica.

Texto por Paulo Vieira, do blog Jornalistas Que Correm

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