Plogging, a técnica que ajuda o físico e o meio ambiente

Recolher o lixo durante o percurso: chamada de plogging, a atividade incentiva a abandonar o sedentarismo e cuidar melhor do meio ambiente

Descubra o plogging, técnica que ajuda o físico e o meio ambiente
Foto: Shutterstock

Em 2015, na Suécia, o ambientalista Erik Ahlström uniu a ideia de limpar um ambiente ao exercício físico, batizando a atividade de plogging – a palavra é a junção dos termos plocka upp (que, em sueco, significa “pegar”) e jogging (corrida em ritmo moderado).

O plogging, portanto, é um exercício simples: basta sair para caminhar ou correr e recolher o lixo pelo caminho. A motivação principal é cuidar do meio ambiente, mas essa ideia pode ser o início de uma prática regular de exercícios. “Acredito que o plogging pode incentivar principalmente quem é sedentário, como se fosse uma ‘justificativa’ para começar uma atividade”, destaca a educadora física Patrícia Mello.

Atenção aos movimentos

Antes de sair por aí pegando garrafas, latas e outros objetos do chão, é fundamental tomar alguns cuidados para evitar dores no dia seguinte ou lesões. “O plogging baseia-se primordialmente em recolher lixo durante o percurso enquanto se corre, e isso envolve um movimento básico e comum a todos: o agachamento. Agachar é, sem dúvida, o agente potencializador do plogging e o praticante deve ter orientação ou certa consciência corporal para não realizar o movimento de forma incorreta”, avisa Patrícia.

Quem já pratica outros tipos de exercícios, portanto, pode ter uma facilidade maior com o plogging, já que provavelmente está habituado a movimentos como corrida, agachamento e levantamento de carga. Mas caso a pessoa seja sedentária, o ideal é consultar um profissional para receber as orientações básicas.

Além disso, é preciso também ter cuidado com o modo como ele será coletado é carregado. “Pode parecer inofensivo, mas carregar dois ou três quilos com a mão esquerda, por exemplo, vai fazer com que todo o corpo tenha que contrabalancear o lado oposto sem peso”, explica a educadora física. Assim, leve sacolas retornáveis estilo mochila (para colocar nas costas), evitando coletar peso demais, ou distribua os objetos em cada mão. “Minha sugestão é que seja uma atividade planejada, decidindo a rota a ser seguida e montando as estações ou pontos de parada para deixar o sacos com o que foi coletado”, recomenda a profissional. Em locais como praças, parques e bairros pequenos, é possível realizar vários percursos de ida e volta até uma lata de lixo – assim, a criatividade para a prática do plogging também pode ser explorada.

Outra recomendação dos profissionais de educação física é calçar um bom tênis, uma vez que o local escolhido para a atividade pode ter o terreno acidentado. Nesse caso, a consciência corporal também faz a diferença, para evitar quedas e/ou lesões por movimentos inadequados.

Atividade sustentável

No plogging, há dois benefícios em uma única atividade: enquanto a motivação por deixar um determinado ambiente limpo estimula a prática de exercícios, o fato de recolher o lixo enquanto se movimenta também pode despertar a consciência ambiental no praticante em diversos outros momentos do dia a dia.

A engenheira ambiental Maria Constantino, idealizadora do blog Maria Virou Eco, é praticante de plogging e já tinha o hábito de pegar o lixo que encontrava no chão enquanto caminhava, mesmo antes de saber que havia um nome para isso. “Eu  acho que incentiva sim a prática de exercício, justamente porque além de você sentir que está fazendo a sua parte, está também se exercitando. Então você se conecta e sente que sua missão de cuidar do meio ambiente está sendo cumprida”, afirma. Para ela, o ato de recolher pode despertar desde a atenção da pessoa para o ambiente (que, antes, não era visto como um local sujo) até o incômodo em gerar lixo e fazer com que os hábitos de consumo sejam repensados. “As pessoas às vezes podem pensar que sair recolhendo por aí não fará diferença nenhuma para a nossa sociedade, mas é justamente ações locais que fazem uma mudança global”, relata Maria.

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