Karina Bozoli superou o câncer com o esporte; confira seu relato inspirador

Karina superou um câncer de mama e a depressão, e viu sua vida se transformar quando entrou de cabeça no esporte e fez uma ultramaratona

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Foto: Arquivo pessoal

A ultramaratona é mais que apenas um esporte. É através de provas como essas, que descobrimos uma força que não sabemos que temos. É superando nossos desafios, dores, cansaço que percebemos ser capazes de qualquer coisa. Mais do que isso, correr também pode ter um enorme poder sobre a vida de alguém. É o caso de Karina Bozoli. Com 37 anos, é formada em enfermagem, mora em Catanduva (SP) e superou a depressão e um câncer, descobrindo o prazer de correr.

 

“A corrida entrou na minha vida por indicação médica, em 2012. Passei por uma traição e foi muito difícil para mim: estava deprimida e sentia uma tristeza e angústia tão grandes que eu estava certa de que iriam ficar para sempre no meu coração. Pois bem, comecei a correr com um grupo chamado Life Running, acompanhado pelo educador físico Leandro Martins. Ainda me recuperando do episódio da traição, descobri um tumor maligno na mama. Fiz o tratamento de quimioterapia e passei por toda a saga: fiquei careca e muito fragilizada pelas medicações e procedimentos. Tive apoio de toda a minha família. Minha filha, com 11 anos na época, segurou a barra junto comigo.

Por incrível que pareça, o câncer me trouxe de novo a vontade de viver que a depressão estava consumindo. Eu quis demais superar tudo aquilo! Já de alta do tratamento, fiz minha primeira corrida. Foram 6 km sofridos, mas ao cruzar a linha de chegada, vi o quanto era boa essa sensação. Passei a me inscrever em todas as provas possíveis, até chegar aos 21 km.

Já no final de 2015, descobri uma prova de triatlo em Ribeirão Preto da qual fiquei louca para participar. Fiz a inscrição sem falar para ninguém e contei para o meu treinador apenas algumas semanas antes do desafio. Ele ficou desesperado, porque não sabia como iria me preparar. Foram 25 dias intensos, dedicados aos treinos, nadando diariamente por 2 h. Comprei uma bike usada de speed e um macaquinho de triatlo, que eu sempre achei o máximo. Via na televisão as provas da modalidade e queria viver a emoção desse esporte, que deixa a gente plena, de pé, e dá sentido para a vida. Então, fiz a prova e fiquei em sexto lugar na categoria geral.

Em janeiro de 2016, participei de outro desafio no triatlo, dessa vez em trail. Descobri que estar em contato com a terra me deixava muito plena, e então passei a desejar correr uma maratona assim. Encontrei uma ultra de 62 km do Xterra Brasil em maio deste ano. Só que eu precisava de uma maratona para garantir a minha participação na prova, e então fui para a maratona Internacional de São Paulo com esse objetivo. Ouvi comentários de amigos do grupo de que eu estava maltratando meu corpo, mas, na verdade, eu estava dando vida a ele.

 

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Completei os 42 km em 4h16 e, na semana seguinte, estava estreando na sonhada ultra, a mais difícil de todas que já fiz – não por ser a primeira, mas porque o percurso é difícil e tem uma hora em que faltam forças para seguir em frente. Apesar da dureza, cheguei em quinto lugar e ganhei um troféu, o que foi inacreditável para mim.

Ainda sou nova no mundo da ultramaratona, mas já percebi que ela é uma verdadeira escola de superação. Encontro mulheres no caminho, algumas com a idade da minha mãe, e vejo nelas força e segurança, algo que geralmente é tirado da gente.

Das ultras que fiz, a mais inesquecível foi a de outubro deste ano, os 75 km de Maresias-Bertioga. Queria correr só para treinar, mas conheci durante a prova um grupo que me fez voar! Era a estreia desse pessoal na distância, e por isso foi emocionante cruzar a linha de chegada e receber um abraço dessa nova família. Eu estava sozinha e era tudo o que eu precisava. Para fechar o ano, teve mais uma: a Extremo Sul, com 230 km e percurso que vai de uma praia no Rio Grande do Sul até a divisa com o Uruguai.

Sou muito feliz por ter chegado até aqui e sinto orgulho em fazer parte de provas assim. A ultramaratona entrou para salvar a minha vida e para me mostrar novas possibilidades: passei no vestibular para o curso de educação física aos 37 anos de idade. Quero estudar e fazer do esporte o meu trabalho, incentivando as pessoas a saírem de casa para correr e se sentirem mais vivas do que nunca. Abaixo de Deus, está a ultramaratona, que faz a gente se sentir viva.”

Texto e Pesquisa: Amanda Preto e Gabriel Gameiro | Edição: Victor Moura

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