Como driblar o envelhecimento

Não devemos apenas aceitar o passar dos anos, mas sim ajustar os treinos de modo que nossa condição física não se deteriore ainda mais

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Envelhecer é um processo inerente a todos nós e que vem sempre acompanhado de declínio de força, massa muscular, velocidade e resistência (só para citar algumas capacidades físicas). Escuto com bastante frequência: “Estou velho. Meu rendimento caiu muito. Não consigo mais chegar nem perto dos tempos que fazia há 15 anos.” Duas questões inteligentes para determinar até que ponto devemos aceitar o passar dos anos e as respectivas perdas são saber se há como ajustar os treinos de modo a retardar o envelhecimento e quais elementos devem ser priorizados por atletas mais velhos.

O envelhecimento em corredores, ciclistas e atletas de longas distâncias vem sendo pesquisado há muito tempo. Apesar da queda no desempenho, os estudos mostram que há um meio de atenuar as perdas e maximizar os benefícios de anos de treinamento acumulados. Isso porque, enquanto atletas de endurance mais jovens  são dotados de um sistema de fornecimento de oxigênio (VO2 max) mais potente (além de níveis mais altos de força e massa muscular), os veteranos são mais eficientes para utilizar esse sistema.

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Isso quer dizer que não basta oferecer mais oxigênio aos músculos durante a atividade física. O desempenho aeróbio também depende da eficiência com que ele é utilizado. Sim, porque há corredores mais potentes, porém menos eficientes, e geralmente eles são mais jovens. Por outro lado, temos corredores com menor potência aeróbia, mas dotados de grande eficiência, e as pesquisas indicam que os anos de treinamento contribuem para o aumento dessa eficácia.

É claro que corredores, ciclistas e triatletas de longas distâncias atingem o seu ápice de desempenho entre 25 e 35 anos de idade. Não há como um corredor de 55 anos ter as mesmas marcas de quando tinha 15 ou 20 anos a menos. O que não devemos é nos entregar ao envelhecimento e deixar que a nossa condição física se deteriore mais ainda. O que fazer, então? Treinos de força máxima (cargas bem altas e poucas repetições), de potência muscular (cargas médias, com alta velocidade de execução), pliometria (exercícios com saltos múltiplos) e tiros curtos e bastante intensos devem fazer parte da rotina semanal de treinos, segundo apontam os estudiosos. Os ganhos na potência aeróbia, na capacidade de resistir à fadiga e na eficiência do veterano melhoram muito quando são introduzidas sessões que estimulam a força máxima e a potência muscular, bem como treinos intervalados de alta intensidade.

Mas vá com calma. É preciso já ter passado por um programa de fortalecimento, e essa nova fase de treinos deve preferencialmente ser orientada e supervisionada por um profissional qualificado. De qualquer modo, fica a dica. Não será possível entrar na máquina do tempo e obter os tempos da sua “época de ouro”, mas você terá condição de obter desempenhos mais competitivos em sua faixa etária, principalmente ao fazer nos treinos o que aqueles que acreditam estar “muito velhos para isso” não fazem.

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