A importância da gordura na dieta do corredor

Reduzir o carboidrato e aumentar a quantidade de gorduras pode auxiliar o desempenho de quem corre. Entenda melhor o estudo

dieta do corredor
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O carboidrato é o combustível mais usado pelo corpo na hora de suar a camisa. A gordura, por sua vez, sempre foi o terror dos atletas que precisam se manter magros e a vilã da alimentação, por aumentar as chances de doenças crônicas, em especial as cardiovasculares. Mas, há novas pesquisas que mostram que seu aumento na dieta do corredor e a diminuição de carbo podem ser melhor para o desempenho.

Um dos maiores defensores da dieta do corredor rica em gordura é Tim Noakes, professor de ciência do esporte da Universidade de Cape Town (África do Sul), também corredor e autor de Lore of Running, livro tido como a “Bíblia” da corrida. Ele conta que sentiu na pele – e no corpo todo – os benefícios que esse tipo de dieta pode trazer.

Noakes começou a investir em gordura e a reduzir os carboidratos quando estava muito fora de forma, pré-diabético, com síndrome do intestino irritável, refluxo, dores de cabeça e apneia do sono. Ele garante que apenas 30 dias após ter feito as trocas, todos esses problemas de saúde praticamente despareceram e, pouco mais de um ano depois, ele se dizia com um peso mais baixo do que quando tinha 20 anos e com uma saúde, de forma geral, melhor do que nunca.

a importância da gordura para corredores

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O pesquisador sul-africano não é o único entusiasta da HFLC, sigla da expressão em inglês High Fat Low CarbMuitos especialistas de renome defendem a ideia de que nossos ancestrais se alimentavam basicamente de carne (com gordura) e eram muito mais saudáveis do que os indivíduos atualmente. Eles acreditam que grande parte dos benefícios desse tipo de dieta está na diminuição dos picos de insulina, provocados pela ingestão de grandes quantidades de carboidrato.

Esses estudiosos afirmam também que, ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a maior ingestão de gordura não aumenta as chances de doenças. Como esse tipo de dieta faz com que haja mais gordura disponível no organismo, o corpo é obrigado a se adaptar para melhorar a forma como esse nutriente é metabolizado.

Benefícios da gordura para a dieta do corredor

Os defensores da gordura garantem: a turma que pratica esportes de ultraendurance – triatletas que disputam provas de Ironman, por exemplo, ultramaratonistas ou ainda alpinistas, que ficam um número inimaginável de horas pendurados nas rochas – é a que mais tem a ganhar com isso.

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A matemática da tese é simples. O corpo não consegue estocar muito mais do que 60g a 90g de carboidrato no corpo, na forma de glicogênio, suficientes para “sustentar” poucas horas de prova. Já os nossos depósitos de gordura são infinitamente maiores. Se ensinarmos nosso organismo a usar a via da gordura para gerar energia, as chances de “morrer” no meio de uma prova de longa/ultra distância diminuem. A curto prazo, o rendimento cai em praticamente todos os casos, pois o corpo se ressente da falta de carboidrato. A longo prazo, quando ele já está acostumado com a nova condição, o quadro se inverte e a potência e a resistência ficam muito maiores e, por tabela, os resultados.

O outro lado da moeda

A dieta rica em gorduras deixou vários especialistas desconfiados no Brasil e no exterior. “Realmente desconheço os benefícios dela e não a vejo com bons olhos, pois a tolerância gástrica é menor no caso das gorduras e, mesmo que elas sejam do tipo considerado do bem, haverá alterações nos exames laboratoriais”, afirma José Kawazoe Lazzoli, cardiologista especializado em medicina do esporte.

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Antonio Herbert Lancha Júnior, especialista em nutrição aplicada à atividade física, diz que esse tipo de dieta do corredor pode promover uma maior capacidade aeróbia neles. “Em pessoas comuns, ela pode estimular a perda de massa magra, mas também pode elevar o colesterol e aumentar o risco de problemas cardíacos.” E mesmo quando o foco é melhorar o desempenho, reduzir drasticamente os carboidratos não parece ser uma boa ideia. “A maioria dos estudos mostra que os treinos mais eficientes, especialmente no que diz respeito à queima de gordura, são os intervalados de alta intensidade e com a ingestão desse nutriente conseguimos impor mais força e velocidade”, afirma Liane Schwarz Buchman, da clínica BodyHealth, em São Paulo.

Segundo ela, a falta de carboidrato também pode provocar queda de imunidade, maior propensão a lesões, cansaço, piora na recuperação muscular e falta de concentração. Por isso, ninguém deve aderir a esse tipo de dieta sem a indicação e acompanhamento de um profissional da área. “Existem muitos prós e contras que devem ser avaliados individualmente”, avisa Liane.

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