Como o trabalho mental muda o comportamento em uma derrota

Hamilton demonstra a força do seu preparo psicológico cada vez mais e expõe a melhor maneira para superar uma derrota

Hamilton é um exemplo de comportamento em uma derrota
Foto: Shutterstock

Para quem acompanha as competições esportivas, já deve ter percebido o quanto é tocante o semblante de um atleta após uma derrota. Alguns podem reagir com ira, enquanto em outros o abatimento e a tristeza são tão profundos que comove a todos que o estão assistindo. Hamilton não faz parte desse time.

No entanto, nem todos os esportistas encaram a derrota desta maneira. Segundo relata o treinador mental Lincoln Nunes, em momentos assim é muito interessante observar as reações dos denominados atletas de elite, como Hamilton: “O otimismo aliado ao conhecimento dele das suas capacidades é a base de tudo isso. Mesmo quando as coisas não acontecem como desejado, isso abre um espaço para que se enxergue o que precisa ser melhorado. Quando o atleta tem o mindset focado na derrota ou para algo ruim, isso bloqueia toda a possibilidade de crescimento. Ao criar uma janela de crescimento nesse resultado inesperado, todos os envolvidos naquela atividade vão visualizar uma janela de melhorias”, explica.

Porém, no esporte em geral, o que o público espera em situações como essa é uma reação exatamente oposta, onde os principais sentimentos que tomam conta da pessoa (ou do time) naquele instante são de raiva, decepção e tristeza. “Nem todos os atletas são assim, na verdade, a maioria deles esquece de trabalhar o mental e o comportamental, e por isso estes sentimentos vem à tona”.

Diante de um resultado adverso, é possível tirar lições positivas? Para o treinador mental, sim, isso pode acontecer: “Na verdade, isso é imprescindível. O atleta que tem o sentimento derrotista, na minha percepção, leva isso para todas as áreas da vida. É algo conhecido no trabalho mental desportivo como mentalidade fixa. Esse tipo de condição te estagna. Ou seja, esse atleta não vai evoluir nunca se seguir com essa conduta”, revela.

Recentemente, o piloto britânico Lewis Hamilton deu ao mundo um exemplo de como conseguiu superar uma derrota de modo diferenciado. Ultrapassado na penúltima volta de uma corrida, ele procurou incentivar a equipe, ao invés de externar algum sentimento negativo com o resultado.

Para quem esperava que ele saísse do carro “cuspindo marimbondo”, a situação revela que o piloto pode usá-la a seu favor, pois estará mais focado em conquistar novas vitórias. “Hamilton deu um show de otimismo, enaltecendo as qualidades do atleta que naquela corrida, naquela volta, foi melhor. Então, esse tipo de atitude faz o esportista enxergar sempre as possibilidades de melhoria, não importa em qual patamar ele esteja, isso é primordial para qualquer atleta de elite, pois ele não desmerece as qualidades do adversário. Pelo contrário, ele enaltece e, naturalmente, enxerga o que tem a se fazer para a próxima corrida. Ele não se fixa no resultado, porque conhece e vive cada oportunidade para vencer, é um modelo de vida”, completa o treinador.

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