
O espírito competitivo e a vontade de vencer estão impregnados nas veias dos Hughes desde que a segunda geração, à qual Jennifer faz parte, era criança. “Passamos muitos verões em uma linda praia em Westport, norte da Irlanda. Lá, éramos colocados frente a frente, ainda pequenos, para praticar a corrida, na água, em um jogo ou na própria pista. Esse espírito cresceu com a gente. Quando você corre com um parente, ele não hesita em chamar a sua atenção, se for preciso, e não o deixa desistir. Esse sentimento faz parte de nossa essência”, conta Jennifer. Uma verdadeira equipe A família Santos, de São Paulo, não se desgruda. Cintia, Fabio e a filha Raphaela encontraram na corrida a maior motivação para estar sempre juntos. Aos 31 anos, Cintia é mãe da adolescente Raphaela, 16. “Engravidei muito cedo, mas a corrida nos aproximou. Como somos todos jovens, falamos a mesma língua, e a corrida só nos tornou mais companheiros. Mais do que pai e mãe, nos tornamos melhores amigos.”
O esporte entrou na vida dos Santos quando Cintia decidiu mudar de vida e fugir do sedentarismo. “Estava com sobrepeso e problemas de saúde. Praticando corrida consegui emagrecer 13 kg em três meses. Minha qualidade de vida melhorou 99%. Eu fiquei mais disposta, mais animada e mais alegre, e eles perceberam isso”, explica. Apenas seis meses depois de sua esposa começar a treinar, Fabio decidiu embarcar na mesma onda. A filha, Raphaela, treina há oito meses. “Temos um grupo de corrida no Sesc Ipiranga, em que os três treinam juntos durante a semana. Correr em família te dá um gás a mais”, conta Cintia. Hoje, o objetivo dos três é único, como explica a mãe: “Hoje o foco é um só: qualidade de vida, mas, claro, a gente também discute depois da corrida, fala do tempo de cada um, conversamos sobre os treinos, nos incentivamos e nos policiamos na alimentação. Somos uma verdadeira equipe.” Fortalecendo laços A corrida entrou na família Bisan para dar uma força a um membro que precisava se exercitar. “Em 1995, me descobri com diabetes tipo 1. Eu sempre pratiquei esportes, mas percebi que a corrida era o que mais me ajudava no controle da doença”, confessa Emerson Bisan. As rotinas de treinos acabaram por estimular o pai de Emerson a, ele também, dar as primeiras passadas. “Um ano após o diagnóstico, corri a minha primeira maratona ao lado do meu pai. Desde então, nunca mais parei. Já são 61 maratonas completadas.” A paixão pela corrida tomou tanto vulto, que Emerson decidiu abrir, em 2010, uma assessoria esportiva, a Nova Equipe. “Por estar me especializando em corrida e atividade física para diabetes, montei a assessoria esportiva. Temos alunos que visam todos os objetivos possíveis”, diz.
Em 2011, a mulher dele, Áurea, até então uma “fiel escudeira” (acompanhava o marido em todas as provas e torcia muito), decidiu também mergulhar nesse universo. “Deixei de só acompanhar e decidi começar a correr. Como o Emerson corria muito, tive de correr atrás”, relata ela, hoje ultramaratonista. “Até então, eu cuidava das crianças, mas quando comecei a correr minha vida mudou por completo. Fiz grandes amizades, conheci uma porção de lugares. Hoje eu cuido da parte financeira, administrativa e do marketing da assessoria.” Com a corrida tão presente na vida do casal, não foi estranho que a paixão pelo esporte passasse às filhas, Gabriela, 9, e Isadora, 7. “Minha rotina é muito intensa, assim, não há nada melhor do que conseguir juntar trabalho, lazer, hobbie e família. Às vezes até me perco”, conta o pai feliz. Áurea completa: “Por mais que a gente tente fugir, todo o nosso ciclo de amizades, nosso dia a dia e nossas viagens giram em torno da corrida. As meninas não fogem disso.” As pequenas já disputam provas mirins e adoram o esporte, que, segundo os pais, nunca foi imposto a elas. “Sabemos o quanto é importante que elas pratiquem um esporte, mas a gente nunca as obrigou a correr”, afirma Emerson. Os Bisan valorizam cada detalhe dessa união promovida pela corrida. “A ligação com a corrida é muito mais que pensar no lado profissional, lazer ou saúde. A família faz parte disso. Quanto mais próximos estiverem, mais intenso é o laço”, finaliza Emerson.Conteúdos relacionados Corrida