Mulheres na Ultra: como Jane Cavazini se apaixonou pela corrida

Conheça a história de mais uma atleta da nossa série sobre ultramaratonistas!

Jane Cavazini Penna de Carvalho, ultramaratonista da serie Mulheres na Ultra
Foto: Arquivo Pessoal

Rotina atribulada, acordar cedo todos os dias para treinar, abrir mão de momentos com família e amigos, os desafios não são poucos. Mesmo assim, as mulheres tem conquistado seu espaço nas ultramaratonas, dando um show de disciplina e superação.

Continuando nossa série “Mulheres na Ultra”, hoje vamos conhecer Jane Cavazini Penna de Carvalho, 52 anos, empresária, mora em Salvador (BA):

 

“Sempre odiei correr, apesar de sempre ter adorado outros esportes e praticado vários. Uma amiga disse que era só uma questão de me condicionar melhor. Dito e feito: comecei a correr regularmente há uns 12 anos. Minha primeira prova foi de 4 km. Estava tão ansiosa que a minha frequência cardíaca estava acima de 90% na largada. Quando terminei, sabia que cruzaria muitas linhas de chegada.

Em 2009 decidi participar de uma maratona. Se quando comecei as pessoas já me diziam que a corrida me envelheceria mais rapidamente, imaginem o que não falaram quando decidi correr uma maratona – ou, então, uma ultra! Mas eu estava muito firme no meu propósito e terminei a minha primeira maratona (do Rio de Janeiro) em 4h14min. Não dá para expressar o sentimento e a emoção da chegada. Desde então, o meu fascínio pelas provas de longas distância só aumentou.

Antes de experimentar a minha primeira prova de trilhas em 2013 (Praias e Trilhas, 84 km em Florianópolis), eu já havia completado 10 maratonas de asfalto. A experiência nas trilhas me encorajou a me inscrever na ultratrail de Madagascar, com 250 km, em setembro de 2014, que abriu um portal de um novo universo para mim. São provas desafiadoras em vários sentidos e que ensinam muito.

Madagascar foi um caminho sem volta. Depois dela, vieram várias ultras. Algumas como preparação para provas maiores, como a Tor Des Geants, nos alpes italianos, considerada uma das 10 provas de endurance mais difíceis do mundo. Nessa, fui a primeira e única brasileira a completar o percurso.

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A preparação para ultras exige, muitas vezes, uma disciplina espartana e uma dedicação quase exclusiva nas horas vagas durante meses. Dependendo da prova, isso significa treinar todo dia, acordar de madrugada (inclusive sábado e domingo) e ter que praticamente renunciar à vida social. Tudo somado às atividades da vida normal.

O apoio da família é fundamental: meus filhos, apesar de às vezes reclamarem de minha ausência, são os maiores incentivadores. No final, acredito que o saldo seja positivo. Eles admiram minha determinação e força e tomam isso como exemplo para eles.

São experiências extraordinárias, em que você encontra pessoas fantásticas, vive momentos inesquecíveis e sente o fluxo da vida em sua plenitude. Por isso, ao terminar uma prova assim, você começa a pensar nas seguintes. Em 2017, quero realizar o sonho de desvendar as sagradas montanhas do Nepal. Em abril, farei uma prova de 200 km, a Mustang Mountain Trail Race. E em novembro, farei Patagônia 250 km da 4Desert, Racing The Planet.

Para essas provas, estou desenvolvendo um projeto que chamo de ‘livro falado’. Quero compartilhar de forma mais próxima da realidade as experiências que tenho nas montanhas, por meio de relatos, fotos e filmagens, e dar uma visão mais holística dessas experiências que vão além do físico.”

Texto e Pesquisa: Amanda Preto e Gabriel Gameiro | Edição: Victor Moura

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