Estímulo externo afeta o pace

De acordo com estudo, música e puxadores de ritmo podem baixar o seu pace e melhorar a performance. Veja a opinião do especialista em corrida Renato Dutra

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Texto de Renato Dutra

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Quando pensamos em estratégia de prova, logo nos vem a questão do pace, algo que todo corredor experiente (nadadores, ciclistas e triatletas também) imagina dominar bem. No entanto, estratégia vai muito além de tentar dosar o pace ao longo de uma prova. Um estudo
recente1 fez um experimento muito interessante: 20 corredores experientes fizeram 4 testes máximos de 3 km em esteira; 2 deles utilizaram a percepção de esforço e outros 2 tiveram
o auxílio externo de pace e sensação de esforço. Resultados: em condições de estímulo externo, eles obtiveram as melhores marcas, ao passo que nas situações em que esses atletas dosaram
o esforço de acordo com suas próprias percepções, eles correram os 3 km 10% mais lentamente.

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Em outras palavras, ao confiar apenas na sua sensação de esforço, os atletas relataram um esforço maior, apesar de obterem um tempo pior se comparado ao teste em que o pace foi determinado por outra pessoa (em muitos casos, esse é o papel do treinador ou de um amigo
mais experiente). O que pode parecer surpreendente tem explicação tanto do ponto de vista
psicológico quanto do fisiológico. Na questão mental, já se sabe que nossa performance tende a
ser melhor quando há o predomínio do estímulo externo. A música, por exemplo, influencia positivamente (por isso é proibida para atletas de elite), assim como os “coelhos” (puxadores de ritmo).

Fisiologicamente, em situações em que é necessário manter um alto nível de esforço por um tempo prolongado, o corpo manda informações sobre o perigo de fazer isso. Para nos proteger, nosso cérebro envia mensagens de “parar” ou ao menos “diminuir”. Enfim, em se tratando da busca de um recorde pessoal ou de um bom resultado, é bom ter estímulo externo. Ao longo de mais de 20 anos correndo (e isso ainda não li em estudos), sempre vi outros corredores obterem bons resultados quando tinham ajuda de um “pacer” experiente ou quando miravam algum corredor um pouco mais rápido, além de estarem motivados o suficiente para suportar uma boa dose de sofrimento durante a prova.

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